EXTREMOZ: CASO PITBULL — FAMÍLIA COBRA JUSTIÇA APÓS MORTE DE IDOSO
Familiares apontam possível crime e denunciam falas preconceituosas; suspeita segue presa Veja mais detalhes clicando aqui !

A família de Francisco Paulo da Silva, de 62 anos, segue em busca de justiça após a morte do idoso, vítima de um ataque de um cão da raça pitbull no dia 6 de março de 2026, no município de Extremoz. O caso, que inicialmente foi tratado como um possível acidente, ganhou novos desdobramentos com o avanço das investigações e o surgimento de provas que levantam suspeitas sobre a conduta da tutora do animal.
Conhecido como “Seu Paulo”, o aposentado era morador do bairro das Rocas e tinha na capinação de quintais uma atividade que ia além da renda extra — era também uma forma de se manter ativo. Segundo familiares, ele era reconhecido pela disposição para o trabalho e pelo bom relacionamento com vizinhos e clientes.
No dia do ocorrido, Francisco saiu cedo de casa para realizar um serviço em uma residência onde trabalharia pela primeira vez. O último contato com a família aconteceu por volta das 8h30, quando ele informou que a cliente havia demorado a abrir o portão. Pouco tempo depois, a comunicação foi interrompida.
De acordo com relatos, o ataque ocorreu após o idoso já ter finalizado o serviço. No local, foram encontrados indícios de que ele havia recolhido o mato, organizado suas ferramentas e se preparava para ir embora quando foi surpreendido pelo animal.
A cena descrita por familiares e autoridades aponta para um rastro de sangue que se estendia da área externa até um banheiro da residência, onde o corpo teria sido encontrado. A família levanta a hipótese de que o cão tenha sido solto de forma proposital após a conclusão do trabalho.
Um dos elementos que reforçam as suspeitas é um vídeo gravado pela própria investigada e enviado à mãe, que mora no Rio de Janeiro. Nas imagens, registradas no momento da chegada de Francisco, a mulher se refere ao trabalhador com o termo “verme”, o que, segundo os familiares, demonstra desprezo e possível motivação discriminatória.
Além disso, declarações atribuídas à suspeita nas redes sociais e em áudios também estão sendo analisadas. Segundo a família, há relatos de falas ofensivas contra nordestinos, pessoas com deficiência e outros grupos. As informações, no entanto, ainda serão apuradas oficialmente durante o processo.
A mulher foi presa preventivamente no dia 7 de março, um dia após o ocorrido. O caso tramita sob segredo de Justiça e segue em fase de coleta de provas e depoimentos. Até o momento, não há data definida para a audiência de instrução e julgamento.
Francisco era deficiente visual, com a perda de um dos olhos, e, mesmo assim, mantinha uma rotina ativa de trabalho. Seus utensílios — como pá e enxada — foram encontrados organizados e amarrados à motocicleta, evidenciando que ele já havia concluído suas atividades no local.
A família destaca que não responsabiliza o animal pela tragédia, mas sim a possível conduta da tutora. Para os familiares, o cão também pode ser considerado vítima das circunstâncias em que foi criado.
“Quem tem que pagar é ela. O animal também é vítima”, afirmou o filho, Paulo Vinícius.
Muito querido na comunidade, “Seu Paulo” deixa uma história marcada pelo esforço, simplicidade e companheirismo. A esposa, Edna Silva, relembra com emoção os últimos momentos ao lado do marido.
“Todos os dias eu via ele sair para o trabalho, até sumir na rua. Essa foi a última lembrança que ficou”, disse.
A família afirma confiar no trabalho da Justiça e espera que todos os fatos sejam esclarecidos. Com o avanço das investigações, a percepção inicial de acidente deu lugar à suspeita de que o caso possa ter sido provocado.
O processo segue em andamento, e novas informações devem surgir conforme a análise das provas e depoimentos.
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